Quero lutar…não quero morrer

Quero ir ao combate , devo honrar o chão que piso, honrar o nome que tenho, porque sou um fruto de uma raiz que brotou em eras passadas; eras sangrentas ou não, faço parte dela.

Ser grande é ser nobre, ser forte é ser guerreiro; não posso fugir da luta; preciso lutar, correr por entre atalhos, espiar por entre os buracos feitos a balas pelas artilharias pesadas; posso ser espia, sentinela, andar agachado por entre as reles relvas de inverno que ainda está coberta por camadas de gelo; nunca posso esquecer que uma bala pode me ferir a cara, a nuca; se um dia voltarei a viver em alegrias, a isso não sei responder; hoje os meus dias são contados em horas que fazem parte do meu futuro incerto…

Do nada me vejo chorando, chorando escondido, em silêncio, porém um soldado não chora, porque as lágrimas embaça os olhos e a mira pode não ser certeira; vou contendo o choro com as lembranças dos dias de minha antiga alegria, que está registada no livro da minha memória, onde nele está a figura de um lindo menino, que corria ao colo da mãe que dizia: Te amo meu doce menino! De menino passei a ser um jovem, agora, um jovem soldado… sim, um jovem soldado honrado, honrado quer na vida ou na morte, porque sou um fruto da raíz dos meus antepassados.

Quero lutar, não quero morrer; anelo pela Vitória, anseio chegar aos dias da Glória e em um só brado irei proclamar: Paz e liberdade à mim e a todos os soldados; à todos que esperam a tão almejada liberdade, que hoje está ofuscada pelas trevas da malignidade existente em derredor.

Quando serei livre para correr pelas Campinas? Para ver as verdes plantações ensolaradas, de pés descalços e braços nus; beber dos ribeiros de águas doces, comer o favo de mel entre as Abelhas alvoroçadas, ver o bailar dos trigais e acompanhar os giros dos girassóis…

Oh, quão feliz eu serei!

Por hoje tenho que ficar por aqui, agachado como um Coelho a espreitar de uma toca; quem me garante a vida?

Olho o céu que me encobre com um manto negro, as estrelas estão escondidas, a lua se recolheu de tristeza, à imensidão do universo elevo os meus pensamentos e faço uma prece triste: Quero lutar, não quero morrer…ainda sou jovem, recebi o dom da vida daquele que está alem da morte; não falo por mim apenas, mas pelos milhares de entre os milhares que ainda vivem assim como eu, porque hoje estou vivo, mas amanhã eu não sei.

Quero lutar, não quero morrer; roguem por mim!

Não quero ser rico, a pobreza me basta; só quero viver, só quero ser livre!

Quero lutar, não quero morrer.

À todos os valorosos soldados ucranianos .

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