A vila das sombras

Na vila das sombras as nuvens são escuras e densas , correndo velozes sob os céus que acima são claros; no universo, o sol de Verão se esconde..

No pequeno lugarejo os corvos dormem preguiçosamente e dizem uns aos outros – Hoje não é dia e nem noite ! Enquanto isso, uns poucos pretos e solitários pássaros, voam silenciosos e mudos…

Ah! Quem dera que daquele triste recanto algo se ouvisse, mas em vez disso, a boca é amarga, as mãos estão abertas e espalmadas, como se esperassem também serem cravejadas…os olhos estão fixos em uma colina ao longe, porque nela há um reflexo de luz que insiste em mostrar-se resplandecente; os pensamentos escrevem como que em pergaminhos, apenas para a leitura celeste, calmamente escreve e diz: Não, não desça até aqui, porque as tuas mãos já foram espalmadas para serem cravejadas, ao som dos gritos ensurecedores dos que ávidos e sedentos de sangue diziam: Crucifica, Crucifica!

Ah! Nem que se hoje houvesse a possibilidade de visitação e que se desse a chance de vida por mais dois mil anos, os olhos dos perversos estariam revestidos de ambição, avareza e maldade; as suas vestes continuariam sendo vestes enfeitadas por figuras de santos, de suas bocas contituariam saindo palavras de preces vulgares, e seus corações continuariam cheios de profanações.

A respeito disso, a vila das sombras sabe bem representar; o cenário denota os que dormem na morte da vulgar e vã ilusão da crença pagã…

…e hoje, não é dia e nem noite na vila das sombras.

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