Em dias tímidos de verão esconde-se a alegria do alvoroço das multidões, dando passagem para o pesar dos oprimidos olhos dos que procuram na vastidão do horizonte o iluminar das estrelas, que se mostram como se fossem pontos que se vêem ao longe; porquanto, é nisto que se faz nascer as noites que vem riscando de preto, o branco celeste, cobrindo-o de um negro acinzentado, uniformizando o universo por sobre a terra vazia de tudo, e de nada.
Os áureos dias de sol resplandecente foram tomados pelos tímidos e pálidos dias de Verão que desenham a humanidade em preto e branco, em figuras animadas e enigmáticas; animadas porque se movem, enigmáticas porque não se sabe dizer quem são, o que são…
Se o bem e o mal encontram espaço nos dias tímidos de verão, não se pode vê a olhos nus, porque os olhos são opacos, os ouvidos estão embaraçados sem saber discernir com clareza a verdade que se esconde nas poucas falas, em pequenas frases ditas, pelas bocas realçadas por poucos sorrisos que não se pode dizer nada e/ou, nem se pode traduzir coisa alguma; com isto o eco do silêncio é mais veloz do que a barreira do som, do som das sombras envoltas em mantos de nuvens, como em dias de nevoeiro de inverno.
Os dias tímidos são marcados pelo tempo da desilusão que toma da terra a alegria dos inocentes.