Na vila dos mortos-vivos as ruas são desertas, não há clamor, não há ruído em parte alguma. Bem ao longe a oráculo fechou as suas asas e descansa no topo da montanha para ver se alguém se atreve a falar para os quatro ventos alguma palavra que faça mover uma folha seca de primavera, mas, sem serem chamados, aqui e ali, se atrevem uns poucos e pequenos ventos, a bolir com os restos da natureza morta…
A Primavera se despediu do vilarejo e as flores secas caíram no solo estéril, onde bastou soprar….Quem? Uns poucos sopros de vento, para varrer os vestígios do colorido das flores secas, que tristonhas, morreram…as pétalas não encontraram descanso em parte alguma para a unificação com a resecada natureza, que lamentando o episódio triste, contampla uns poucos mortos-vivos na recolha dos feixos de fenos pelos campos afora….também podera! Lá ainda vive alguns poucos e magros animais em busca de um descanso em antigas estrebarias quietas, e encontrando, nela fazem repousar os seus esqueléticos corpos…
Na desolação local a menina-de-ouro é o cemitério que está posto no centro nervoso do comércio por onde trafegam os mortos-vivos, que pensam estarem vivos; do ar exala um perfume semelhante a um incenso de misticismo denominado pela presença dos sons do outro mundo, que vem em busca de calor de verão, porque lá, além da morte o cenário é de maiores trevas e silêncio do que na vila dos mortos-vivos.
…e no alto da montanha a oráculo espera o dia da visitação daquele que a todos vê, e que por fim se levantará para resgatar das trevas alguns dos justos que também esperam o julgamento final.