Vem de longe vem, um conto veloz que conto; conto pelo desencanto, conto um conto que de longe vem, que por entre as margens das ruas estreitas, ecoa como um sonoro som de desencanto.
Ó, quem dera ter hoje, diante da minha vista, a vida vivida as margens da estrada de terra batida, ladeada pela pequena cerca coberta pelos avelozes, enfeitados pelas múltiplas e minúsculas lavandeiras, que brincavam e dançavam ao soneto do cheiro do vento, bailavam na crença de serem bailarinas, que dançavam em um ambiente requintado, realçado por tapetes vermelhos, diante de uma plateia frenética… e no contraste do ambiente, no conto que vem de longe, o cenário por onde bailavam as lavandeiras era de natural beleza fazendo-as refletir à luz solar, onde naquele pequeno jardim o majestoso maestro era o coqueiro rei, que fazia as honras da casa, assistido pela frondosa goiabeira que graciosamente espalhavam os seus galhos por sobre o poço, onde lá do fundo, germinavam as águas claras e doces; delas bebiam os grandes e pequenos que formavam a orquestra na orquestração do som do triunfo do rio que corria ao lado, em um curso calmo, sereno…
No belo encanto deste conto, concedo ao silêncio do tempo, o direito da descrição da simplicidade da morada , porque, tudo o que de mais poderá ser realçado é a semelhança do parecer da vida na linha do tempo, de um tempo, de um conto que vem de longe, vem de tempos antigos, onde a esperança era um bem caro e verdadeiro, porque nela repousava a face da simplicidade de ser, de ser sem nada ter…
E era uma vez um mundo, em uma terra distante, onde estava para vir e ser escrito, um conto que vem de longe, vem de uma infância distante, onde as nuvens eram contadas como carneirinhos, onde os animais falavam, onde as pequenas lavandeiras eram bailarinas, onde um pequeno jardim era um bosque encantado, onde o nada era tudo, onde a alegria era a esperança, de apenas ser, e se tornar grande…
…este é um conto, um conto que vem de longe…