A Semelhança das trevas

Debaixo de um sol escaldante vi um ser semelhante as trevas. A figura não anda, rasteja como uma lagarto pálida, ávida por tragar o mundo a sua volta; a cabeça é grande e para a diferenciar de entre os demais, tem cabelos tosqueados como que chamuscados pelo fogo abrasador das profundezas do abismo que arde em fornalha na queima dos tecidos corporais terrenos…

Também podera!

Em uma terra envolta no misticismo das luzes das velas acesas em forma de preces aos mortos, naturalmente se mostram, todos os que são a semelhança das trevas, se bem que porque, o fogo que consome as matas envolta, não faz distinção entre os que se movem, sendo a largato pálida de mais valia para a altura das chamas…

Escrevo hoje este conto em forma de desencanto, pelo entendimento do existente no mundo e no reino das trevas, que esparramam os seus braços como se fossem caldas de dragões famintos e raivosos, que pelas matas e ruas rastejam, transfigurados de qualquer coisa que se movem ao som das quedas dos escaldantes raios solares, que buscam em meio as trevas, grandes e pequenas coisas que façam aumentar as chamas do abismo que é alimentado por qualquer coisa…poderá ser por folhas secas, por árvores ressequidas, por tudo que se move e rasteja, por tudo o que seja igualmente a semelhança das trevas.

Não por nada, mas por tudo; hoje vou guardar um valor que possa pagar a compra de alguns pregos, para selar, em um futuro bem próximo, as portas do abismo, em quando nele estará dormindo o sono da morte eterna a lagarto que é a semelhança das trevas.

pt. 20240702

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